terça-feira, 31 de julho de 2012

Karona com Ká

Por questões de trabalho, ano passado tive que ir conversar com a diretora e a professora de uma pequena escola municipal. A escola fica na zona rural, numa rua sem saída e tem, aproximadamente, 30 alunos em cada turno. Ao chegar na escolinha, senti o aconchego do lugar tão pequeno, colorido... como se o coração do bairro pulsasse ali. Cumpri minha missão e decidi ir embora quando o sinal da saída já havia batido. No portão, algumas crianças, de uns 6 ou 7 anos, esperavam o ônibus escolar. Obviamente estranharam ver uma pessoa tão diferente (eu) andando em direção a elas. Ainda assim, meio receosas e, ao mesmo tempo, cordiais, abriram caminho para que eu pudesse passar.

Caminhei em direção ao carro que estava do outro lado da estreita rua e, mesmo de costas, fiquei ouvindo as crianças cochicharem:
- Pra onde será que ela vai?
- Será que vai pro carro?
- Não vai, não.
- Será que ela sabe dirigir?

Como devem saber, não me incomodo com os comentários das crianças que, em geral, são muito verdadeiras e curiosas. Ainda que fosse uma conversa discriminatória naquele momento, eu daria um jeito de conversarmos a respeito. Acho fantástico ter oportunidades assim para desmistificar a deficiência.

Então, continuei andando, rindo baixinho também. Quando alcancei a maçaneta da porta do motorista, virei para trás e disse:
- Alguém quer carona?? 
As crianças deram um pulo de susto, arregalaram os olhos e todos nós caimos na gargalhada. No caso seria karona com Ká. Comigo. Sob olhares perplexos, entrei no carro, dei partida, buzinei e elas acenaram com um tchau. Fui embora mais feliz. Acho que elas também.

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Definitivamente adoro crianças. Vejo nelas a possibilidade de adultos do bem.

Beijos. 

Para os cegos, a descrição: na foto da postagem há seis crianças sorrindo e deitadas no chão formando um círculo.