quinta-feira, 10 de novembro de 2011

(re)Konhecimento aí vou eu!

Recontar a própria história, revisitar o passado, narrar os elementos fundamentais da vida profissional e acadêmica que esse texto exige é uma tarefa árdua. Entretanto, me fascina poder dar forma em palavras os momentos que construíram minha carreira como psicóloga, até então. Confesso que, o próprio exercício de relembrar e escrever, é por si só uma fantástica possibilidade de ressignificação do vivido, cujo objetivo demarca minha postura diante do mundo enquanto sujeito e, consequentemente, enquanto psicóloga. Embora não possua uma vasta experiência profissional, rekonheço que me encontro sob novas configurações cotidianamente, justamente por acreditar que estou na condição de ser humano e, portanto, “sujeita” a todas as conjecturas que me cercam.

Órtese
Lembro do meu primeiro dia de aula na pré-escola. Eu usava um aparelho ortopédico de ferro nas pernas e botas ortopédicas, como na foto - aliás, eu só calcei sapatos comuns aos 12 anos quando, por conta própria, minha mãe resolveu tirar os aparelhos e passei a aprender a andar sem eles até as cirurgias, aos 16 (em breve farei uma postagem sobre isso). Vestia, naquela ocasião da escola, a camiseta branca de manga curta e a bermudinha azul, uniforme tradcional dos colégios estaduais na minha época. Tenho certeza de que minha mãe expôs minha deficiência de propósito. Na verdade era um hábito; ela jamais deixou de me levar em algum lugar ou de vestir roupa curta em mim por isso. Então meus colegas da escola ficaram curiosíssimos. Eles queriam chegar perto, tocar, conversar e eu achei, no mínimo, engraçado. Lá pelas tantas, uma das crianças perguntou se eu estava "daquele jeito" por ter sofrido acidente de carro. Cheguei em casa rindo muito e contando o episódio aos meus pais. Fiquei pensando de onde o colega tinha tirado aquilo. A leveza com que eu e meus pais encaramos essa situação determinou o meu enfrentamento diante de todas as outras situações parecidas com essa. Uma vez, saí com meu pai e uma senhorinha se aproximou e perguntou a ele: "Ela fala?", sem pestanejar eu respondi: "Acho que sim!". Meu pai não sabia como sair daquela saia justíssima, colocada à vácuo, mas depois a gente riu demais. Eu já disse isso aqui, mas vou repetir: não tinha motivo para me incomodar com aquela pergunta, assim como não tenho problema para responder pergunta nenhuma a respeito da deficiência até hoje (nem nunca vou ter), porque é normal que as pessoas queiram saber e quanto mais respondermos e explicarmos, menos daremos chance ao preconceito, aos mitos, à ignorância.


Faculdade rima com saudade!

Bom, durante toda a minha vida escolar e universitária as koisas funcionaram nessa linha: estive rodeada de muitos amigos, as pessoas sempre se prontificaram a me ajudar e jamais deixei de me sentir pertencente ao grupo. Tenho plena convicção de que esse processo aconteceu por uma via de mão dupla, uma troca: a minha postura influenciou a postura das pessoas comigo e vice-versa. Logo, ir para a escola foi sempre uma alegria, um momento bom. Foi nos espaços da escola pública que eu percebi a minha paixão pelas pessoas. Não nasci para a exatidão, para os números ou tabelas periódicas... o que eu amo é a complexidade da humanização. Ir à escola me rendeu apenas boas emoções, o que fez com que estudar se tornasse uma das koisas que mais gosto de fazer. Portanto, me fascina a idéia de poder seguir a carreira acadêmica, a apreensão do conhecimento e a possibilidade de disseminá-lo. 

Em 2008, terminei a faculdade em Santos/SP e o objetivo era fazer pós-graduação. Logo em seguida eu resolvi voltar para Santa Catarina. De lá pra cá, eu tenho trabalhado bastante (cada vez mais, felizmente). Hoje trabalho na APAE e todo dia é uma reafirmação de que faço o que amo. No ano passado, surgiu a idéia de fazer o Mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas tudo ficou apenas no plano das idéias, pois o dia da prova coincidiu com a data de um curso sobre Autismo que eu já havia pago para ir fazer em São Paulo. Não era hora do mestrado - foi nesse curso em Sampa que eu conheci minha amiga querida Gisele Nunes. Alguns meses depois, houve a oportunidade de fazer especialização em Educação Especial aqui em Garopaba. Na hora topei! Era a chance que eu precisava para continuar estudando com a temática coerente com o meus anseios e com o meu trabalho. Atualmente, só me resta terminar a monografia para pegar o "canudo" e ganhar o título de especialista em Educação Especial.

Durante todo esse ano, mesmo fazendo a pós, tive a vontade fixa em passar no Mestrado da UFSC. Com bastante antecedência, li todo o edital do ano passado para me inteirar de como funcionava o processo. Preparei os documentos, fiz a prova de proficiência em língua estrangeira (inglês), organizei meu currículo lattes e pensei no pré-projeto (esse último não fiz, achei melhor esperar para ver se passaria na prova específica). Dia 7 de outubro, logo depois do meu aniversário, fui até à Universidade fazer a prova específica na área 2, cuja linha de estudo são as "Práticas Sociais e Constituição do Sujeito", que é exatamente o que quero estudar tendo como objeto de estudo a deficiência. No ato da incrição para o Mestrado, você já deve indicar um orientador para o seu projeto, caso chegue nessa etapa. Dei uma olhada no currículo dos professores e achei que o perfil do Prof. Dr. Adriano Henrique Nuernberg era o que tinha mais a ver comigo por ele ser um pesquisador desse tema. Eu não sabia, mas o professor Adriano foi quem aplicou a prova naquele dia. Saí da prova absolutamente certa de que não passaria. Algumas pessoas julgam isso como "estratégia para evitar a ansiedade", mas para mim é puro realismo. Eu sou sincera comigo mesma, não haveria motivos para depositar expectativas em algo que eu estava ciente de que não aconteceria. Aliás, caro leitor internauta, você evita uma pá de sofrimento desnecessário quando aprende a analisar até onde vão suas capacidades. E ali, eu sabia que não havia tido subsídio teórico suficiente para ser mestranda da UFSC - por enquanto.

Professor Adriano Nuernberg e eu.
Dia 24 de outubro saiu o resultado, aquele que eu já esperava: não havia passado. Apesar de desejar muito estar naquela lista, não me frustrei, sinceramente. Acredito que as koisas têm uma hora certa para acontecer e um sentido todo particular que cada um dá. E aquela desaprovação significava, para mim, que algo melhor viria. E veio. No dia seguinte, pela manhã, abri minha caixa de e-mail e lá estava uma mensagem do professor Adriano. Isso mesmo, aquele que eu havia escolhido como possível orientador, que aplicou a prova e que eu não fazia idéia do motivo daquela mensagem... risos. Para minha surpresa, o professor Adriano já me conhecia. De onde? Daqui, do blog. Acredita? Eu custei para acreditar! Ele me reconheceu quando fui prestar a prova de mestrado e, como ele viu que não passei, me mandou um e-mail me convidando para fazermos estudos como uma forma de preparação e incentivo para a prova do ano que vem. Marcamos uma reunião na UFSC dois dias depois. O que o professor tinha para me dizer corrobora com toda a visão e vivência de deficiência que tenho: de que somos pessoas antes de sermos deficientes. O convite foi melhor do que se eu tivesse passado no teste, pois não se tratava de uma avaliação de prova, mas um rekonhecimento do meu trabalho, de quem sou. Ouvir uma pessoa com esse gabarito dizer que gosta dos meus textos e da maneira como me posiciono foi um dos melhores presentes que a vida já me deu. Pode parecer trivial, mas só eu sei do trajeto até aqui. Meu pai, que me acompanhou no encontro com o professor Adriano, chorou copiosamente ao ouvi-lo dizer tudo aquilo. Quando eu sempre conquisto alguma koisa, papai diz: "Um pequeno passo pra Humanidade; um gigantesco passo pra você.". Simples assim! É outubro, o meu mês, me trazendo sempre boas notícias!

(re)Konhecimento aí vou eu!

Deixo aqui meu imenso agradecimento ao professor Adriano Henrique Nuernberg, que tem se mostrado um ser humano extraordinário, além de muito competente no que faz. Professor, não medirei esforços para corresponder a chance que você está me dando. Que possamos ampliar e defender os estudos da deficiência no Brasil. Muitíssimo obrigada!

Beijos a todos que sempre torcem por mim.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Makiagem com Ká?

Olá, caro leitor internauta!

Hoje vim falar sobre minha paixão por maquiagem. Desde muito cedo sou apreciadora dos cosméticos feitos para embelezar ainda mais, nós, mulheres. Costumo estar maquiada na maior parte do tempo, cada estilo condizente à ocasião, óbvio. Se vou para uma festa gosto de arrojar sem parecer muito "carregado", se vou sair pra jantar uso algo mais "leve", se vou para o trabalho uso algo mais discreto - afinal, não posso estar mais chamativa do que minha competência exige, ou seja, o paciente tem que prestar atenção no que vou dizer (ou no que ele mesmo vai dizer), e não no meu batom, no meu brinco, na minha roupa, etc. E, se vou ao supermercado, pelo menos um rímel e um blushzinho tem que ter, não é mesmo? De uns tempos pra cá, tenho investido mais nos produtos de maquiagem. Sempre que posso compro algum item novo ou reponho um que acabou. Ô vício!

Gabriela, minha modelo, já pronta.

O mais engraçado é ver como pessoas custam a acreditar que sou eu que faço minhas  maquiagens.  Aliás, quase todo final de semana eu faço maquiagem nas minhas primas adolescentes para as festas de 15 anos... E olhe, tem gente pra caramba fazendo 15 anos... tô ficando véia!... risos. Posteriormente à "descrença" do primeiro momento, as pessoas também sempre me perguntam se fiz algum curso e não, não fiz curso nenhum, caro leitor internauta. No máximo, o meu gosto por maquiagem me leva para blogs a respeito desse assunto - inclusive aprendi bastante com minha amiga e xará Karla Oliveira que faz maquiagem profissionalmente. Outra koisa que causa estranhamento, desconfiança nas pessoas é o fato de eu mesma fazer minhas sobrancelhas - diga-se de passagem, não só as minhas, mas também faço as da minha mãe, as das minhas amigas, das colegas de trabalho, etc... risos.

Acredito que tamanha surpresa se dê pelo formato assimétrico e incomum das minhas mãos. Eu não me incomodo com isso, de verdade. Quando vemos uma pessoa, não sabemos dizer, ao certo, do que ela é capaz apenas baseados na aparência. Isso também acontece com os "matrixianos", e pior: as pessoas tendem a subestimar as capacidades até perceber que podemos. Constato tudo isso com muita tranquilidade porque acho que é um processo comum e natural - não é "privilégio" só dos deficientes. Tendemos a ter receio do desconhecido, daquilo que não nos parece familiar. Portanto, a estranheza não me aflige. Tento me colocar fora desse corpo e acho que também duvidaria ou teria muita curiosidade, num primeiro momento. Para citar um exemplo, outro dia vi na TV uma moça americana sem os dois braços que dizia pilotar um avião de pequeno porte com os pés. Confesso que, de início, eu duvidei, mas depois ela decolou levando a Adriane Galisteu para dar uma "voltinha". Aí concluí que, além de deficiente e psicóloga, tínhamos em comum a mesma paixão por voar... risos. Achei sensacional! Eu também precisei ver para crer. E foi diante de tudo isso que resolvi fazer um vídeo (clique aqui para assistir) mostrando que somos todos capazes. O primeiro passo é querer. Se você realmente quer (qualquer koisa), metade do trajeto até seu objetivo já foi alcançado. Quando me interessei por maquiagem, eu quis MESMO e deixei que esse "gostar" me levasse para o "saber fazer". Portanto, mulherada, mãos à obra, digo, aos pincéis. Espero que gostem do vídeo. Agradeço à Gabriela Defreyn, minha prima, que serviu como modelo e que editou o vídeo. A trilha sonora é "Moves like Jagger" do Maroon 5 e segue abaixo a lista de produtos usados nessa maquiagem:

Pele:
Corretivo Maybelline 20 light.
Base Maybelline Dream Liquid - beige natural 2.5
Pó Maybelline Mineral Power - medium beige 2.0
Blush Natura - rosa

Olhos:
Conjunto de sombras Revlon Color Play - cores 2, 3 e 4
Sombra Color Design - cor guest
Lápis Natura - preto
Lápis L´Oreal Double Extend - branco
Rímel Maybelline The Colossal Volum' Express

Boca:
Batom Natura - Rosa ritmo

Beijo, beijo, beijo com gloss.