quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Amigo virtual ou real? Amigo!

Eu e Sam. 13 de julho de 2011.
Uma das melhores koisas que esse blog me trouxe foi a possibilidade de conhecer pessoas. Ano passado, eu encontrei na internet o Blog do Cadeirante, um espaço dedicado a contar as experiências do mineiro Alessandro Fernandes, o famoso Sam. Lembro-me que lia os textos dele com muito entusiasmo porque, além de informativo, completo, o Sam escreve com bastante fluidez e bom humor. Sabe aquela escrita que te envolve e, de repente, você acha que já conhece aquela pessoa há muito tempo? Pois é, era assim que eu sentia e, mesmo eu não tendo paraplegia ou não sendo cadeirante como o Sam (sou só uma kapenga andante), eu passei a me identificar muito e a comentar as postagens dele. O blog é referência para deficientes do país inteiro, inclusive, o Sam já deu entrevista na televisão e em revistas. Depois de um tempo, passamos a trocar e-mails como dois amigos mesmo e, até meu irmão de 11 anos passou a acompanhar o blog, fazia as contas pra ver quantas visitas o blog recebia em tantos dias... hahahah... Também não vou esquecer do dia em que fui dar entrevista numa rádio e ele mandou um recado para a produção, pois estava me ouvindo pela internet. Muito legal!

Em julho, fui surpreendida com um recado do Sam dizendo que viria a Florianópolis a trabalho. Marcamos de sairmos para jantar e lá começou minha saga em achar um bar/restaurante com plena acessibilidade, pois seria extremamente incoerente e constrangedor levá-lo num lugar qualquer e termos nos deparado com degraus, banheiro inacessível, etc. Então eu procurei na internet uma lista de bares e restaurantes de Floripa e liguei para, praticamente, todos os bares... pode acreditar! O mais engraçado é que, ou a pessoa dizia que não tinha acessibilidade ou dizia que tinha, mas questionando vinha sempre uma resposta tipo: "Rampas temos, banheiro não.". Acessibilidade 'meia-boca' não é acessibilidade, minha gente. O cara não pode 'quase entar' no bar ou 'quase ir ao banheiro', né não? Bom, quase desistindo e me conformando com a idéia de ir ao McDonald´s com o Sam, eu achei o tal Benvenuto Bar, um lugar bacanérrimo. O bar dispunha de calçada com guia rebaixada, piso tátil, rampa na entrada e banheiro acessível... que sonho! Ah, e a comida era muito boa também. 

Mas antes de chegarmos no bar, aconteceu uma koisa tri legal. Vou explicar: o Sam é mineiro, mas fazia Mestrado em Floripa, na Universidade Federal de Santa Catarina. Numa das suas férias, ele foi pra Minas e acabou sofrendo o acidente de moto que o deixou paraplégico. Então, desde 2006, o Sam não voltava a Floripa. Andando pela cidade, foi tocante vê-lo reviver a cidade. O meu primo Rafael,  que estava dirigindo, o levou dentro do campus da universidade e sentimos uma forte emoção ao testemunhar o Sam revisitando aquele lugar, os espaços por onde costumava passar, mas dessa vez sob outro olhar: o olhar de uma pessoa que adquiriu uma limitação física, mas que não deixou de viver bem. Tô errada, Sam? Então quando lembrava de onde andava de bike, ele dizia: "Olha, aqui tem rampa, piso tátil...". Para mim, o passeio foi agradabilíssimo e conhecer esse amigo foi a constatação de que tudo tem um propósito, de que a amizade e o carinho pelas pessoas independem da latitude e da longitude das nossas casas. Admiro e quero muito bem essa pessoa fantástica que é o Sam, meu ícone, exemplo de superação. Espero que em breve eu possa visitá-lo em Belo Horizonte e que ele traga logo a Gi (a esposa) pra eu conhecer, como combinamos. Adorei ter te conhecido, my friend! E obrigada pela visita!!

Benvenuto Bar
Av. Madre Benvenuta, 1248 - Santa Mônica - Florianópolis/SC
Telefone: 48 3236-0633
Site: http://www.benvenutobar.com.br/

Superbeijo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Hotel Ibis (Congonhas) - São Paulo/SP


Vista do Hotel Ibis na passarela do Aeroporto de Congonhas
Bom, caro leitor internauta, hoje vim dar mais uma dica de acessibilidade: Hotel Ibis (Congonhas), em São Paulo. Na primeira vez que me hospedei no Ibis (em abril desse ano), não fiquei num quarto adaptado. Apesar de o hotel dispor de 4 quartos acessíveis, na época estava acontecendo a feira Reatech, então deduzi que todos estariam ocupados e, além disso, a acessibilidade em banheiros para mim é dispensável - ou seja, com certeza haveria quem precisasse mais que eu. Dito e feito. Já nas férias de julho, eu pedi um quarto adaptado para matar a curiosidade e postar aqui para você. Contei com a companhia e dotes fotográficos da minha amiga linda (e paulista) Gisele Nunes. 

Como você pode ver nas fotos, há barras próximo ao vaso sanitário e na pia. No quarto comum, a pia é uma bancada de mármore, bem diferente dessa. O espelho é inclinado para que um cadeirante possa espelhar-se. O chuveiro também é adaptado e há duas opções: ou você usa um banco que é chumbado na parede (e que se abre) ou você usa uma cadeira de banho que fica disponível no quarto. Não há box ou degrau próximo ao chuveiro, apenas uma leve inclinação para que não haja o acúmulo de água. O piso do banheiro é antiderrapante em ambos os quartos (adaptado ou não). 

E eu, curiosa que sou, resolvi tomar banho na tal cadeira de banho que nada mais é do que uma cadeira de rodinhas (mesmo!) com uma tampa de vaso. Aqui faço uma pergunta, como a pessoa toma banho se estiver sozinha? A rodinha da cadeira de banho é muito pequena, não dá pra manejá-la. Que tal amarrar um lençol e assoprar até chegar no banheiro? Seria um tipo de "cadeira de banho à vela". Gente, fiquei com muito medo de tomar banho naquela geringonça e ainda tive que contar com a gentileza da Gisele. Aliás, quem é cadeirante, por favor, tiraa essa dúvida minha: a cadeira é realmente muito insegura ou eu é que não estou acostumada mesmo? No fim do banho, valeu a pena a experiência e as risadas que eu e a Gi demos tentando usar a acessibilidade adequadamente.

A circulação no quarto é bem confortável, inclusive para um cadeirante... uma grande escrivaninha fica próxima à janela, o frigobar fica numa altura razoável e a televisão também. Não há tapetes, o que facilita se a pessoa estiver com a cadeira. Quanto ao hotel e ao quarto adaptado, tenho apenas duas observações: 1. todos os quartos adaptados são no final do corredor e isso é muito, mas muito longe do elevador. Em caso de emergência, já era pros 'matrixianos' e 2. tem um carpete bem grosso que reveste os corredores, o que atrapalha a locomoção de um cadeirante. No resto, o Hotel Ibis é uma ótima opção. Não há degraus no hotel, os serviços são ótimos e a comida é maravilhosa. Além disso, essa unidade fica ali do ladinho do aeroporto de Congonhas, há 100 metros. Ah, e o melhor: o preço também é acessível. Caso queira ganhar um descontão, é só fazer a reserva no site com, no mínimo, 20 dias de antecedência.

Hotel Ibis (Congonhas)
R. Baronesa de Bela Vista, 801 - Vila Congonhas
CEP: 04612-002 São Paulo/SP
Site: http://www.accorhotels.com/pt/hotel-3718-ibis-sao-paulo-congonhas/index.shtml