quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Café e Cinema

E aí, caro leitor internauta? Tudo certo? Por aqui tudo ótimo. Hoje vim falar para você de cinema e café. Sim, mas isso não é uma análise de filme e nem sobre os segredos de como preparar um bom café. Faz uns dois meses eu estive no Farol Shopping, em Tubarão, a convite dos meus tios para assistirmos 'Tropa de Elite 2'. Eu nunca havia estado naquela 'região' do shopping, mas curti, a princípio. Tudo plano, nenhuma escada por perto e a fila para a compra dos ingressos estava pequena. Embora eu, como 'matrixiana' possar passar na frente, resolvi ficar com a minha tia ali na fila mesmo, pois tinha pouca gente - eu abro mão de alguns direitos quando os julgo desnecessários, como nesse caso.

Até a sessão começar demoraria algum tempo e, claro, era uma boa hora para tomarmos um belo café. Eu amo café. Aliás, eu amo sair para comer, é meu programa preferido... risos. Mas o café eu gosto não só pelo gosto, mas também porque me remete a um momento de dois prazeres: comer e bater um papo. Tenho sorte de ser magra! Minha tia sugeriu irmos ao Café Minuto, um café que não fica na praça de alimentação. Está localizado numa 'ilha', tipo aquelas lojinhas que ficam no corredor do shopping, sabe? Pois é, é onde você encontra variados tipos de café quentes e gelados, com especialidade em doces e salgados requintados. A cafeteria é grande, fica num piso um pouco mais elevado e tem rampa em todas as entradas, mesas com sofá apenas de um lado com espaço livre para um cadeirante chegar na mesa se for preciso e uma comida fantááástica. Eu tomei um café com leite numa taça toda lambusada de nutella (aquele creme que recheia o Ferrero Rocher). Hummmmmmmmmmm... bom demais! Pena que eu estava sem a câmera para registrar as imagens e postar aqui.

Chegada a hora do filme, eu fiquei animada ao ver que nas entradas da sala do cinema havia rampas. Não sei se tinham a angulação correta (de 8cm a cada metro), mas elas estavam lá. Que beleza! E que filmão! Claro que, para mim, o Wagner Moura destaca-se pelo talento e pela beleza. Tá bom, ele não é exatamente liiiindo, mas a beleza, de fato, é um conjunto e não tem um padrão, é tão relativa... e eu acho que o cara tem um charme, não sei explicar. Depois que o filme acabou, minha satisfação com o cinema foi baleada com um tiro de fuzil: na saída da sala só tinha escada. Ahhhh, nããão! Estava tudo indo tão bem. Claro que eu saí pela porta de entrada - onde tinha a rampa. A moça do cinema não curtiu muito, eu percebi, mas antes que ela me dissesse qualquer besteira, eu falei para ela que a saída não era acessível - e dei aquele sorrisinho típico de ironia. Minha vontade foi dizer: 'Pede pra sair!'. Fico inconformada que locais recém construídos e com o perfil de um shopping não esteja preparado (por completo) para receber a clientela tão diversificada. Óbvio que não adianta muita koisa ter rampa na entrada e uma escada na saída. Isso não é acessibilidade. É como uma mulher 'meio-grávida': não existe! Ou fazem rampas em todos os acessos ou treinam o funcionário para fazer uma cara mais simpática se um 'matrixiano' for obrigado a sair pela porta contrária - a de entrada, nesse caso. Aí, então, eu entendi o slogan do shopping: Surpreendente!

Beijo enorme, caro leitor internauta.

Ps.: é dezembro... ho ho ho!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Falando naquilo...

Caro leitor internauta, que saudades de escrever!! Embora os assuntos sobrem nos rascunhos, falta tempo para estar aqui postando e retribuindo a sua atenção comigo. Peço desculpas e agradeço o carinho. Eu mesma fico chateada por ter que priorizar outras koisas. Andei reparando em como caiu o número de postagens ao mês desde que criei o blog. Felizmente o trabalho e os compromissos aumentaram e, em consequência disso, infelizmente tenho tido menos tempo para postar. Mas vamos lá. Há séculos tenho vontade de falar 'naquilo' com a seriedade que o assunto merece.

Mas 'naquilo' o que? É isso mesmo, caro leitor internauta. Hoje falaremos de sexo! Aha, gostou, né? Pois é, sexo! Está aí um tema que sempre desperta curiosidade, polêmica e tabus... principalmente quando se refere aos 'malacabados'. É tipo assim 'todo mundo faz, mas é feio falar'. Que bobagem! Não faz muito tempo as pessoas pensavam que os deficientes eram, inclusive, assexuados. Um engano. Você pode ter frigidez, falta de desejo ou importência sexual sem ter uma deficiência. Concorda? É óbvio que os 'matrixianos' têm libido e vida sexual ativa. Por que não? Não importa se é cadeirante, surdo, cego, andante, lesionado ou com defeito de fábrica (tipo eu), os deficientes também fazem sexo, ué. Isso é tão óbvio para mim que não entendo tanta discussão e diferenciação. Não há 'normalidade' para o sexo. Com os 'matrixianos' é do mesmo jeito que é com todo mundo. Talvez não dê para realizar todas as posições do Kama Sutra, é verdade... mas dá para tentar de outros jeitos porque a questão do prazer é igual para todos. Aí você vai descobrir com seu partner qual é a melhor forma. Não há o meu beijo e o seu beijo, há o nosso beijo. Não há o meu jeito e o seu jeito, há o sexo que fazemos juntos, a dois. Dois que se transformam em um! Quer que eu desenhe? Melhor não... risos. Cada um tem suas limitações e preferências, independente de ser 'normal' ou não. Eu, por exemplo, não me vejo diferente das outras pessoas, nem no sexo. Eu amo e desejo como todas as outras mulheres. Todas nós, mulheres, nos preocupamos com a celulite, com a depilação, com os quilinhos a mais, com isso, com aquilo... nos preocupamos em caprichar na hora do 'espetáculo', etc (e a maioria das paranóias é uma besteira). É ou não é? São dúvidas e incertezas comuns. Assim como os homens também devem ter as inseguranças deles. Claro que há deficientes que possuem algumas partes do corpo com menos sensibilidade, é o exemplo dos paraplégicos e tetraplégicos. Como eu não tenho essa característica (lesão ou falta de sensibilidade), fui ler a respeito para não falar besteira aqui para você, caro leitor internauta. E, olha só, eu aprendi muito. Você sabia que homens para ou tetraplégicos podem ter ereção e, em alguns casos, até a ejaculação? E você sabia que algumas mulheres na mesma condição podem ter o aumento da sensibilidade na parte interna do órgão genital? Nesses casos, as pessoas descobrem o prazer em outras artes do corpo, antes não exploradas. Fantástico!

Daí eu estava aqui concentrada escrevendo e pensei que também devem existir motéis adaptados. Aliás, por falar em motel, eu lembrei que em um dos dias de curso lá em São Paulo, em setembro, estávamos paradas no trânsito, caos total na hora do rush, e eu olho para o lado e vejo um motel. Primeiro que acho engraçado porque Sampa é enorme, tem muitos motéis e é tudo no meio da cidade mesmo (e tem cada nome bizarro!) - por aqui, em cidade pequena, os motéis são 'escondidos', longe do centro, lá na BR, até porque, se fosse no meio da cidade, com certeza haveria um vizinho seu de plantão no portão bisbilhotando a sua vida sexual. E, segundo, achei cômico porque tinha escrito numa placa enorme: 'Suites com karaokê'. Eu dei um grito dentro do carro: 'Caraaaaaaaaaca! Karaokê? Pra quê?'. Renata e Denise morreram de rir porque eu não entendi qual é a finalidade de ter um karaokê num motel. Será que o dono é japonês? Geralmente eles curtem um karaokê, né? Não sei, mas imagine a guria dizendo: 'Amado, cante Amado Batista pra mim!', ou então o cara: 'Thutchuca, cante Ilariê pra mim... sem desafinar!'. Credooooooooooooo! Que horror! Mas então, há sim, empresários que pensaram nessa demanda (os deficientes, não nos cantores... risos). Pesquisei e vi que no Blog Mão na Roda tem uma lista de motéis acessíveis, segue o link: http://maonarodablog.com.br/tags/motel-adaptado/ . Muito legal!

Para que você tenha uma vida sexual ativa, saudável e sem tabus, você precisa se aceitar como é. Seja você alto, baixo, gordo, magro, preto, branco, azul, amarelo, oriental, ocidental, 'matrixiano' ou não. Se você não se gostar, ninguém mais poderá fazê-lo. É clichê, mas é a verdade. Se você também é 'malacabado(a)' como eu e/ou tem um monte de receio, aceite-se. Se você tem curvas tortas, celebre sua diferença. Você é único(a) e inesquecível por si só. Descubra a beleza que há em você. Seja criativo(a), inove, permita-se! E, por fim, se o cara ou a guria não quer ficar com você pelo simples fato de você ter uma deficiência, então desencane logo porque essa pessoa não merece estar com você e esse é um problema dela, não seu. O prazer não está exatamente ligado à forma (perfeita), transcende a materialidade do corpo. Tem a ver com qualidade de conteúdo, amor, paixão, desejo, pele, cheiro, gosto, respeito, carinho... tudo junto e misturado, ou fora dessa ordem (estou aprendendo isso). Faz bem para a pele, para o cabelo, para cada célula, para o ego, para a alma! E para o sexo ser bom não é preciso ser atleta, mas sim talentoso(a). Então aceite-se, ame-se, cuide-se, relaxe e goze. Seja feliz!

Na foto acima: Cléo Pires (sortuda!) e o ex-BBB Fernando em sua cadeira de rodas (que ficou paraplégico num acidente de carro). Morri, né? Lindo demais o cara!

Beijos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ser diferente é MEGA normal!

Caro leitor internauta, pense rápido: qual é o contrário de eficiente? Pensou? 'Ineficiente' é a resposta. Acertou? Talvez você tenha pensado em 'deficiente', mas deficiência nada tem a ver com 'não ser eficiente'. Todos as pessoas, sem exceção, possuem algum tipo de deficiência. Umas aparentes, outras não (as piores, muitas vezes). A minha deficiência, por exemplo, é física e visível. E não para por aí, tenho muitas outras: sou teimosa pra caramba, moralista, exigente, etc... sem contar que tenho um bloqueio mental absurdo para a matemática (incidência comum em psicólogos). Bom, as koisas vêm melhorando, é verdade... de repente ser 'matrixiano' virou moda e foi parar no horário nobre, mas ainda há quem não esteja preparado para respeitar as deficiências dos outros - vai ver é porque nunca reflete sobre suas próprias limitações. O fato é que os 'matrixianos' estão por todo canto e a sociedade não pode mais fingir que não (n)os vê. Eu sei que na teoria é tudo lindo e até utópico, mas cheguei à incontestável conclusão de que não podemos falar de inclusão, sem falar em acessibilidade. Aliás, a inclusão é um tema muito complexo e que me causa coceiras. Me proponho a fazer um post só sobre isso num outro momento. Agora vamos olhar a acessibilidade além de uma rampa, caro leitor internauta. A acessibilidade é mais que estrutura física, é ter/dar acesso ao trabalho, ao estudo, à cultura e ao lazer, à cidadania... acessibilidade de estar junto aos outros e de ser digno. É ter/dar autonomia e independência e a chance de conviver com a diversidade. Sem contar que o direito de ir e vir é garantido na Constituição a todos os cidadãos, sem exceção.

O blog jamais teve (ou terá) o objetivo de ser um Muro das Lamentações, deixemos isso para a Terra Santa, já falei isso por aqui. Acredito que os outros nos veêm, dependendo da postura que temos. Se eu me respeito, me respeitarão. Se me faço de vítima, sempre serei uma coitada. Então sempre tive a convicção de que é preciso ser agente sem ser pedante. É preciso tomar muito cuidado para exigir um direito sem causar o efeito reverso, ou seja, sem deixar que nos tornemos grupos excludentes e excluídos. Trago esse assunto para a pauta porque chegou o momento de agir. Mês passado aconteceu aqui em Garopaba o I Fórum de Acessibilidade com o intuito de divulgar a missão que a cidade recebeu: ser referência estadual em turismo adaptado. É mole? O pessoal das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo me procurou para eu ajudar na organização do evento e para participar da mesa redonda (que, na verdade, era retangular, mas tudo bem). Como sou super metida, topei na hora. Foi bem estranho falar de mim na frente de tantas pessoas naquele dia. Todos com olhares atentos voltados para a 'picurruxa' aqui. Estou acostumada que me olhem, sim - não por ser a sósia da Bündchen, claro, mas porque as pessoas têm curiosidade com o diferente. E outra: não tenho problema para falar em público, mas ali eu não estava defendendo minha monografia, eu estava falando de mim e numa posição de 'matrixiana', koisa que, confesso, muitas vezes, esqueço que sou. Falando nisso, eu não me incomodo com o olhar curioso dos outros e, principalmente das crianças. Eu me incomodando ou não, vão olhar de qualquer jeito, então relaxo e aproveito a vida. E, se olham indiscretamente, para 'quebrar o gelo', eu devolvo a curiosidade com um sorriso. Sempre funciona! Um sorriso pode mudar tudo, não é mesmo caro leitor internauta?

Bom, estar no I Fórum foi bacanérrimo porque, além de 'chacoalhar' as pessoas, eu pude mostrar o blog, comentar dos contratempos e alegrias de viajar sozinha, e falar das dicas de acessibilidade que já postei por aqui. Foi demonstrado, também, pelo Marcus (secretário de turismo), o projeto da cidade de Socorro/SP que é referência nacional e internacional em turismo acessível. Receberemos suporte da mesma organização que assessorou a mudança de lá. Ao final das discussões, dei entrevista à Rádio Frequência News e conheci o Arenilton, grande radialista e parceiro nessa idéia. Recebi o convite de participar de seu programa da rádio no fim de semana seguinte e foi muito bom. Muitas pessoas comentaram, mandaram emails, etc. Inclusive deixo aqui um beijo para o pessoal de todo o país que nos ouviu pela internet e, em especial, para a Paraíba (terra do Arenilton). Aos demais, faço questão de responder a todas as mensagens em breve.

Depois disso tudo, eu e a comitiva das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo fomos a Criciúma, em outro fórum sobre o tema. Tive que tirar as fotos de lá com o meu celular, pois o Marcus (que é secretário de Turismo e também fotógrafo) esqueceu a câmera dele, isso porque liguei para lembrá-lo. Segundo ele, só lembrou da máquina quando foi me buscar e me viu. Só me faltava essa: ter cara de Nikon D80, né? Adivinhe só, caro leitor internauta: cheguei na porta da universidade (Unesc) e havia dois degraus (fotografei com o celular, mas não consegui descarregar as fotos). Ah, não, isso não foi nada. O pior estava por vir: tinha uma escada para entrar no auditório. Sim, sim, acredite. Eu falei para o Marcus: 'Isso é uma pegadinha, né?'. Achei que a qualquer momento apareceria o Silvio Santos dizendo: 'Oe, hihi... sorria. Você está no SBT!'. Nãããão! Eu não estava na tv e aquela piada não tinha graça. Como vamos a um evento, numa faculdade, falar em acessibilidade se o próprio local não dispõe da estrutura e da mudança a qual se discute? O organizador do evento, sr. Ismail (é Ismail mesmo, não errei o nome dele) queria cavar um buraco e se enterrar quando me viu ganhando um colinho para entrar no recinto. Me pediu desculpas e eu, cara-de-pau que sou, respondi rindo: 'Sua sorte que não sou palestrante. Senão, como eu subiria no palco?'... risos. Como sou da filosofia de que 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena', achei que o fórum de lá foi bem produtivo. Mas ainda volto lá para cobrar umas rampas!

Por aqui, na última reunião sobre acessibilidade, dia 10, na câmara dos vereadores, ficou eleita uma comissão responsável por coordenar e apoiar projetos para que Garopaba alcance a meta de ser referência estadual no turismo acessível. É válido lembrar que, quando falamos em turismo acessível, estamos dizendo que antes de tornar a cidade viável para os visitantes, tornaremos Garopaba acessível para os 'matrixianos' e idosos daqui. Essa frente de trabalho é independente do governo municipal, com autonomia, o qual objetiva elaborar, participar e fiscalizar ações junto aos órgãos competentes. Eu fiquei como presidente por aclamação e me sinto honrada em poder estar junto nessa nova (e árdua) empreitada. Pensei em criar um blog específico para manter você, caro leitor internauta, atualizado sobre esse trabalho, mas sei que não terei tempo de cuidar de dois links, então, sempre postarei as novidades sobre esse tema por aqui mesmo. Em breve terei novas notícias. Aguardem!

Próximo post: A sexualidade dos 'matrixianos'.

Agradecimentos especiais:
* Sec. Mun. de Turismo: Marcus, Graci e Thales.
* Sec. Mun. de Educação: Rose e Nadir.
* Sec. Mun. de Obras: João Manoel.
* Rádio Frequência News: Arenilton e Sérgio Saraiva.
* Vereadores Rogério, Targino e Luiz.
* Professor Rui, Graciele e João Pacheco.

Beijos e bom feriado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Koisas nossas...

Bom dia, caro leitor internauta! Dia lindo por aqui...

Nesse ano de 2010, em que criei o blog para ressignificar as minhas koisas, tive a sorte de encontrar duas pérolas na 'blogsfera': Solange Maia (eucaliptosnajanela.blogspot.com) e Erica Vittorazzi (adoropalavriar.blogspot.com). A Solange, pra mim, é tipo um 'mito' e a Erica, não menos importante, é tipo uma amiga que mora longe com um detalhe peculiar: eu nunca a vi pessoalmente, mas ela sempre passa aqui no Koisas Com Ká e comenta as minhas postagens. São duas mulheres que descrevem, de maneira simples e fiel, o que sinto. Quem me conhece sabe que eu não gosto da leitura complicada, para poucos. Ao contrário, eu gosto de tudo muito claro, muito bem dito. Eu gosto do que descomplica, do que você lê e se identifica. Assim como a música e outras formas de arte, a escrita é uma ferramenta incrível para a expressão e elaboração dos sentimentos e pensamentos. Como diz minha mãe: 'O papel aceita tudo!'. Verdade. Mãe tem sempre razão. Aqui, meu 'papel' é um monitor, minha caneta é um teclado e minha caligrafia vira fonte 'Georgia'. E quando eu não dou conta de traduzir as minhas koisas, sei que tem quem faça isso por mim, mesmo sem saber. Pessoas que sequer vi ou ouvi pessoalmente, nesse caso. São raros os escritores que têm o dom de alcançar o leitor com tanta propriedade. Então quando tudo está num turbilhão por aqui sem eu conseguir nomear cada koisa (todo dia, praticamente), eu vou nesses dois blogs e tudo que leio contempla uma parte de mim. Hoje deixo para você o último texto postado pela Solange e pela Erica. Ambos traduzem koisas minhas.

Saudade? Agora não, obrigada.

Só sei que acordei e já não doía mais.

Nem mesmo a quietude me incomodou.
É que não tinha mais aquele peso, aquela importância.
E pensar que de tanto querer entender aquele amor, quase perdi o passo.

Não vi o tempo correr.
Não vi a gente ficando diferente.

E, de repente, aquela antiga história já não cabia em lugar algum.
Deve ser assim que os amores acabam.
Um sempre parte. E o outro fica.

Saudade ? Agora não, obrigada.

(Solange Maia)

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Ilha

O sol está forte aqui deste lado da fronteira. Mas, está nublado em mim. Com previsão de chuva. A trovoada me atormenta e não me deixa escutar os meus próprios pensamentos. O que será que penso? Não penso. Reajo. E caminho sem guarda-chuva. Sem proteção. Quero que o vento me leve para algum outro lugar...


... bem distante de mim.

(Erica Vittorazzi)



Boa semana pra todos nós!
Besitos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Depilação também é cultura!

... a depilação. Sim, caro leitor internauta, hoje meu post destina-se a esse tema tão difundido entre as mulheres. Hábito tão chato, mas tão necessário. Depois de anos fazendo essa 'tarefa' em casa, resolvi seguir os conselhos da Jeovana e fazer a depilação com cera quente (no salão de beleza da minha tia). Ando cansada desses afazeres que demoram e que dão trabalho. Sou adepta da praticidade, ou seja, vou lá, pago e está feito (e bem feito). Com o cabelo também aderí esse costume da vida corrida e moderna. Passo um produto que relaxa os fios e hidrata sem deixar liso demais. Escovo uma vez por semana, pelo menos, e pronto. Não tenho que me preocupar em andar com a cabeleira presa. Mas, voltando à depilação, adiei esse momento por anos simplesmente por medo da dor, embora tenha 10 cirurgias nas pernas. Não que ir para o hospital e ter que tirar pontos sejam koisas agradáveis, mas o que é uma depilação de 20 minutos para quem já passou por tudo que passei, não é mesmo?

Pois é, descobri que é muita koisa!... risos. Vamos lá. Tomei uma boa dose de coragem em gotas e marquei um horário com a Marní Lima (a depiladora). Aproveitei que minha amiga gaúcha Raquel estava por aqui e a convidei para o tal 'programa de índio'. Quando entrei naquela sala toda branca e vi uma maca branca também, o desespero foi tomando conta de mim. Primeiro porque o clima me lembrou laboratório de hospital, segundo porque eu sabia que ia doer pacas, e terceiro porque macas não são acessíveis. Aqui cabe um comentário: os 'matrixianos' ralam para subir/descer de macas - são altas e não possuem um mecanismo que facilite a subida/descida. Mas beleza. Respirei fundo e deitei. Olhei para o teto e não vi nada, nem um móbile para distrair moças medrosas como eu durante a sessão de 'tortura'... risos. Aliás, vou sugerir à minha tia que coloque algum adereço colado ou pendurado no teto para motivar quem está naquela situação tão estressante... risos. Já conheço a Marní há anos, sempre trocamos segredos e confiei a ela essa empreitada porque sei que é uma pessoa tranquilíssima e muito profissional. Fui logo de cara dizendo: 'Marní, eu tô com muito medo.'. E adivinhe? Ela tem uma técnica infalível para acalmar as clientes: dizer a verdade. 'Vai doer muito, mas isso não é só com você, é com todas as mulheres que se depilam com cera.'. Ah, tá bom... valeu, eu adooooro gente sincera, caro leitor internauta. Era melhor mesmo tomar consciência da dor e enfrentar os fatos de frente (já que depois teria que ser de costas).

Bom, quando fico numa situação desesperadora, eu rio descompassadamente. Fui rindo de dor e ouvindo as manicures do lado de fora (mais a Raquel) rirem do meu jeito. E doeu. Doeu muito. Primeiro você sente aquela cera quente e grudenta, depois um puxão que parece arrancar um pedaço seu. É claro que não sei como é dar à luz, mas desconheço outra dor tão dolorida... risos. Tirar pontos de cirurgia é molezinha, como sentar num pudim. Eu sei que depilar com cera é prático, que fica mais bonito, que a pele fica mais macia, que depois nascem menos fios e que a natureza humana é perfeita, mas não encontro um argumento convincente que explique por que cargas d'àgua mulher tem que ter pêlos além do couro cabeludo, cílios e sobrancelhas. Bom, lá pelas tantas eu parei de rir. A Raquel, preocupada, bateu na porta devido ao meu silêncio: 'Ká, tá viva aí?'. Um 'acho que tô' foi minha resposta. Na verdade eu já não tinha mais força para rir (nem para nada). Eu só resmungava: 'Te odeio, Marni!' e ela ali ignorando o meu sofrimento dizendo que as mulheres saem da sala dela mais felizes do que quando entraram. Sem dúvida, não era o meu caso.

Naquela altura do 'campeonato' senti uma pontinha de arrependimento por ter ouvido a Jeovana (e a 'maledeta' nem estava ali comigo para eu xingá-la), mas já que eu tinha descido para o 'playground', tinha que encarar a brincadeira, certo? Então para me conformar, resolvi pensar que, graças a Deus, eu não era o Tony Ramos. Ufa! Ao terminar o trabalho, para me convencer a voltar, a Marní filosofou: 'Ká, a vida é tão curta que não vale a pena ficar peluda!'. É, concordo... esse é um bom argumento!

Bom fim de semana, queridos! 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

5 koisas

Boa noite, caro leitor internauta!

Sabe aqueles dias em que você tem um monte de koisa para fazer, mas está sem disposição para fazê-lo? Pois é, esse é um dia desses para mim. Tenho que postar a respeito de dois eventos os quais participei na semana passada: o I Fórum de Acessibilidade de Garopaba e o programa na Rádio Frequência News, mas eu não estou muito inspirada para filosofar, embora meu desejo de escrever seja inevitável. Como eu prefiro fazer bem feito do que fazer de qualquer jeito, falarei desses assuntos numa próxima postagem. Combinado? Então, por hoje, resolvi aderir à idéia da Erica Vittorazzi (adoropalavriar.blogspot.com) e listar 5 koisas que você ainda não sabe sobre mim. Eu já fiz esse joguinho aqui há muito tempo, mas essa lista é inédita.

Vamos lá:

1. Uma das poucas koisas que não gosto de comer é o morango.

2. Eu faço koisas esquisitas com o corpo: mexo as orelhas, viro o dedo indicador direito pra cima até encostar no punho, estalo a clavícula esquerda, viro a língua ao contrário e levanto só uma sobrancelha.

3. Eu sou (muito) apaixonada por barba.

4. Ao contrário de muitas mulheres, eu adoro cortar o cabelo.

5. A única vez que tive inveja de um homem foi quando um sambista da Portela disse que teve um caso com o Ricky Martin. 

Prometo que logo postarei algo mais construtivo.

Beijinhos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ih, quase morri!

Pois é, caro leitor internauta. O título da minha postagem não é nenhuma piadinha tipo as que você está acostumado a ler aqui no blog. Dia 26 de setembro, data da minha vinda de Sampa para casa, eu vi a Dona Morte de perto... tão pertinho que ela quase sentou ao meu lado para tomarmos um lanchinho juntas. Vou explicar por que: naquele domingo, o Márcio (marido da Rê) acordou meio adoentado. Enquanto ele repousava, arrumei a bagagem. Separei a roupa usada em sacolinha plástica e coloquei no fundo da mala. Depois juntei as koisas no banheiro e guardei as necessaires. Conferi se os documentos estavam na bolsa e chequei a bateria do celular. Me sentei na cama e olhei para a mala com ar de nostalgia, como em todas as vezes que tenho que ir embora. Almoçamos eu, Renata e Jeovana... e o Márcio foi se recuperando (acho que foi de tanto que rimos). Quando saímos de casa o horário já estava apertado, mas não me apavorei. Na Imigrantes o trânsito estava intenso, mas andando. Chegamos em Congonhas faltando 15 minutos para o meu voô partir. Parece muito, mas não é. Ainda deveríamos andar até o check-in, fazer os trâmites e me dirigir para a sala de embarque e tudo isso é muito longe por lá. E eu ainda não aprendi a correr, caro leitor internauta, então fui me preparando psicologicamente caso não desse tempo de embarcar... risos. Eu estava tranquilíssima com a situação - tanto pela a probabilidade de embarcar num próximo voô ou pela vontade descarada e inconsequente de ficar ali... risos.

E não deu tempo mesmo. Renata e Jeovana foram correndo na minha frente e levaram meus documentos para tentar fazer o check-in, mas já era tarde. Quando consegui encontrá-las já estava tudo resolvido: Jeovana reconheceu o meu amigo Genivaldo (da Gol) no balcão e ele já havia conseguido um lugar para mim no voô seguinte, mais ou menos, para uma hora depois - e sem pagar o no show. Ouvi ele falando no rádio e estavam direcionando a aeronave para o portão 12 (no finger, porque era mais fácil para mim), já que, oficialmente, o embarque seria no portão 19 (na pista - primeira foto acima). Mas era muita coincidência: dia de folga do Genivaldo, então por que ele estava ali trabalhando bem na hora que perco o avião? Batemos um papo e, enquanto ele ajeitava os últimos detalhes, fui até uma livraria perto da praça de alimentação e comprei um livro de presente para ele. Era um livro que ele queria e achei que seria uma boa forma de agradecê-lo pela gentileza. Afinal de contas, ele não tinha obrigação nenhuma de me embarcar e muito menos de não cobrar as taxas, não é verdade? Deixei uma dedicatória na primeira página como se o livro fosse meu... risos

Enquanto aguardava sozinha naquelas cadeiras de sala de espera, comi um chocolate que havia comprado num semáforo próximo de Congonhas e a mesma questão se fez presente em boa parte da viagem: por que perdi o avião? O que a vida quis oportunizar com meu atraso? Acredito que tudo tem uma razão para acontecer, então qual era a razão daquilo? A resposta viria mais tarde. Por sorte, sentei na poltrona 1, é o melhor lugar do avião, mais espaçoso. Na janela sentou um senhor e o meu lado, uma guriazinha muito esperta chamada Tatiana, de 10 anos. Ela sabia de cor as falas de instruções de segurança da aeromoça, cômico... risos. Depois me contou que mora em Floripa, mas viaja a cada 15 dias para ver o pai em São Paulo.

Deixamos a capital paulista com muita neblina e chuva. Depois de ultrapassar as nuvens pude ver o horizonte limpo e, lógico, a imagem merecia uma foto. No meio da viagem, enquanto os comissários distribuíam os lanches, tomamos o primeiro susto: soou um alarme e eles correram para sentar em suas poltronas próximas à porta de entrada. Foi a pior turbulência pela qual já passei, mas foi bem rápida. Até aí, eu estava tranquila... e a Tatiana também. Quando nos aproximamos de Floripa, o piloto desceu um pouco e entramos numa mega nuvem, caro leitor internauta. Você sabe como é estar dentro de uma nuvem num avião? Primeiro que escurece tudo, fica parecendo um cinema e depois a luz do avião que pisca do lado de fora deixa parecendo que há um pirralho chato acendendo e apagando um interruptor. Não é muito agradável, eu garanto. O comandante, então, avisou que dentro de alguns minutos estaríamos aterrisando. Quando o piloto diz isso, você pode contar uns cinco minutos e já estará na pista, maaaaaaaaaaaaas não foi isso que aconteceu naquele dia. Era hora do segundo susto: entramos na nuvem e não saimos mais. Quando o avião está descendo você tem a nítida sensação de que tem alguém puxando suas calças para baixo, mas também não foi o que aconteceu. O que todos sentiram é que o avião estava fazendo curvas dentro da nuvem. Pendia para a direita e acelerava. Girávamos sob o mesmo ponto repetidas vezes. As pessoas começaram a ficar aflitas. Como eu estava numa posição 'privilegiada', tinha a visão exata das poltronas dos comissários e percebi que eles também estavam aflitos. A aeromoça respirava fundo e o aeromoço olhava para o teto como se implorasse para aquilo ali acabar logo. Se, eles que trabalham com isso, estavam nervosos, como eu poderia ter tranquilidade? A Tatiana começou a rezar e pediu para segurar a minha mão e, mesmo estando desesperada, me obriguei a passar o mínimo de serenidade para a menina. Não sei se consegui, mas eu não poderia entrar em pânico e deixar a criança pior que eu, certo?

Nesse momento, senti o meu coração bater muito forte. Na verdade, eu só conseguia ouvir o ritmo frenético do meu coração. Era como se ele estivesse pulsando fora do meu corpo... ao lado do meu ouvido, mais exatamente. Senti meus olhos secos, sem conseguir piscar e correu um flash na cabeça. Ainda quero fazer muita koisa nessa vida. Ainda quero publicar um livro, comprar uma Kombi 1973 e ter um cachorro São Bernardo. Quero saltar de paraquedas, casar vestida de noiva e ter filhos. Ainda quero fazer especialização, mestrado e doutorado. Quero ir a Paris. Quero aprender a tocar bateria. Quero ser poliglota. Quero ir num show do Roberto Carlos. Quero conhecer o Luciano Huck. Quero um afilhado. Quero trabalhar na AACD. Quero pular numa cama elástica. Quero comer, rezar e amar. Quero sorrir e perdoar. Quero ser ponte, ao invés de ser muro. Quero deixar algo de bom, uma semente bem plantada. Quero voar. Quero muito mais. Quero tanta koisa, mas naquela hora tudo que eu conseguia pensar era que eu só queria estar viva para realizar meus sonhos. Parece mórbido, mas não é... se eu morresse ali, estaria em paz porque eu adoro estar no céu. Constatei o quanto a vida é delicada e efêmera. E, de repente, você se esquece agradecer por estar respirando e deixa de contemplar a beleza desse dom de ser e de estar vivo.

E então tratei de rir da minha própria desgraça. Já que morreria, eu queria morrer sorrindo... risos. Aí voltou a questão: será que eu tinha perdido um avião para morrer em outro? Isso é bem koisa de notícia do Jornal Nacional, né? 'A passageira Karla Garcia Luiz se atrasa, perde o voô e morre em queda de avião!'. Credoooooooooooo! Espero que um dia o William Bonner diga o meu nome, mas não para anunciar uma tragédia! Quero estar viva pra ver isso... risos. E não dizem que pensamento tem poder? Então comecei a pensar: 'Desce, comandante... desce... minha vida não tá pra negócio não! Bóra descer esse trem que não é trem!'. Ufa, depois de 20 intermináveis minutos começamos a descer. A sensação foi parecida com aquela de quando você está apertadíssimo para fazer um pipi e, finalmente, consegue fazê-lo. Um alívio! Pude sorrir com tranquilidade e lembrar da semana maravilhosa que havia passado em terras paulistas. Pela janela vi as luzes da pista do aeroporto. Olhei para a Tatiana e falei: 'Pronto, mocinha. Estamos em casa!'. Antes de desembarcar, a fofíssima, provavelmente mesmo sem saber o quanto tinha me ajudado, me deu a resposta que buscava: 'Você perdeu o avião, mas pense pelo lado bom, você conheceu uma pessoa legal: eu!'. É, ela tinha razão.

Quando vi e abracei meu pai na porta do desembarque, tão assustado quanto eu, nem pude acreditar. Eu estava de volta ao meu aconchego.

Boa semana, queridos!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tahiti Restaurante (Guarujá/SP) - PERFEITO


Feliz terça-feira, caro leitor internautaaaaa! Tá bom, nem tão feliz assim já que estamos no horário de verão. Eu sei, eu sei, é uma chatisse, né? Às vezes me pergunto se essa mudança no horário compensa às hidrelétricas, porque ao meu corpo, definitivamente, não. E quando nos acostumamos com o danado do horário, ele acaba e tudo volta ao normal. Bom, mas a minha produção filosófica de hoje não se refere a isso, mas sim ao Tahiti, um restaurante que deveria servir de exemplo de acessibilidade aos restaurantes desse país - quiçá, do mundo! Estive pela primeira vez no Tahiti Restaurante quando me hospedei na casa da Renata, no Guarujá, nas férias de julho. Nessa ocasião, foi o Márcio (marido da Rê) quem tirou as fotos, as quais eu nunca recebi (por problemas técnicos... risos) e fiquei impedida de dar essa dica para você, temporariamente.

O estabelecimento fica na Praia de Pitangueiras, em cima do calçadão, na beira da praia. Na beira mesmo, tanto que, se eu abrisse a janela e resolvesse dar uma 'voadeira', certamente cairia com as fuças na areia... risos. É um dos lugares mais procurados do litoral paulista e conta com arquietura e decoração no melhor estilo polinésio. Ao chegar lá, só reparei a rampa de entrada. Até aí, nada de tão surpreendente, não é mesmo? Sentamos e o Márcio comentou que eles tinham cardápio em braile. Opa! Agora sim, meus olhos começaram a brilhar... risos. Eu nunca havia ouvido falar num restaurante que se preocupasse tanto com os 'malacabados'. Achei sensacional, óbvio. Em seguida, o Márcio foi ao banheiro e, ao retornar à mesa, me disse com empolgação equivalente a uma criança em frente a um pirulito colorido: 'Kaká, os banheiros são totalmente adaptados. Põe no blog!'. Olha só, caro leitor internauta, vem acontecendo algo engraçado (e bacanérrimo), quando saio ou converso com meus amigos, três frases típicas aparecem:
1. 'Isso vai pro blog?'
2. 'Isso tem que ir pro blog!'
3. 'Isso não pode ir pro blog!'



Hahahahahahaha... Não pestanejei: fui conferir o banheiro, falei com o gerente e pedi para fotografar e comentar aqui. Apesar de não precisar de banheiro adaptado, eu acho bárbaro quando as pessoas investem nisso. O cardápio em braile eu não vi, pois estava em 'reforma' no Lar das Moças Cegas, em Santos, que é a instituição que confecciona o material. Está bem, eu esqueci de perguntar se alguém lá entende LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), só faltava essa mesmo. Já pensou, caro leitor internauta? Aí, sim, meus olhos brilhariam mais que vestido de perua em chá beneficente... risos. Mas, da próxima vez perguntarei sobre isso, prometo. O cara me contou que o restaurante recebe, com certa frequência, 'matrixianos' de todo tipo (deficientes visuais com cães-guia, os tradicionais cadeirantes e os que possuem a 'lataria' meio amassada feito eu... risos). Bom, depois do 'conversê' com o gerente e uns garçons que estavam por ali, preenchi a famosa ficha de satisfação do cliente e deixei o endereço do Koisas Com Ká. Semanas mais tarde, recebi dois e-mails: um do pessoal do SAC perguntando se eu precisava de alguma informação ou foto para fazer a postagem; e outro do dono (sim, do dono) querendo saber se já tinham entrado em contato e para elogiar o blog. Muito legal, né?

Maaaaaaaaaaaaas, como eu sou brasileira e não desisto nunca, na ida ao Guarujá no mês passado, eu não poderia deixar de ir lá e fazer as fotos (acima) pessoalmente - além de desfrutar da comida maravilhosa do lugar, claro. Fomos em bando, para variar: André e Mariana, Márcio e Renata, eu e Jeovana. Levei a máquina nos 'trinques' e fotografei o que precisava. Achei que o ambiente é bem preparado não só fisicamente, devo dizer que os garçons são muito atenciosos também. Tá bom, tá bom, eu sei que eles são pagos para isso, mas nem todo mundo atende bem o público, mesmo quando seus honorários têm esse objetivo, não é verdade? E dessa vez havia mais um atrativo por lá: música ao vivo de excelente qualidade com o cantor Celso Lago. Quanto ao cardápio em braile, já estava pronto, mas na outra unidade do Tahiti (Monduba). Lugares assim me enchem de esperança, sabe caro leitor internauta? Me fazem acreditar que, um dia todas as pessoas terão acesso (físico, pelo menos) a cultura e ao lazer. Que bom seria se metade dos bares, restaurantes, lojas, hotéis, etc., se preocupassem a atender tão bem seus clientes deficientes quanto os donos do Tahiti Restaurante. Vale a pena conferir e divulgar! Sem dúvida me encantei mais com a acessilidade do local do que com a beleza do mar!

Ps.: As fotos dessa postagem são minhas e do site do próprio restaurante.

Tahiti Restaurante
Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 367 - Praia de Pitangueiras - Guarujá/SP
Site: http://www.tahitirestaurante.com.br

Próximo post para finalizar o especial da última viagem a Sampa: 'Ih, quase morri!'.

Beijinhos. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por que 'Tyson'?

Boa noite, caro leitor internauta!

Tudo bem? Por aqui tudo certo, muito vento e frio - não encontro nenhuma explicação metereológica plausível para isso em pleno mês de outubro -, mas vamos lá. Hoje vim dividir com você o dia de mais perrengues e o mais engraçado de toda a minha vida. Um verdadeiro teste de paciência e coragem... risos. Já contei aqui que durante os cinco dias de curso na AMA, eu, Denise e Renata fizemos o trajeto Guarujá-São Paulo de carro, certo? E já contei que a Denise nunca havia dirigido na 'capitar'? Não, né? Pois é, quanto a isso foi pura diversão. Acontece que na terça-feira, 21 de setembro, a placa do carro dela cairia no rodízio de veículos de Sampa justamente no horário em que chegaríamos e sairíamos do curso. Para piorar a situação a Renata não dirige na estrada. Que beleza! Só faltava me candidatarem a motorista, né? Até cogitaram essa possibilidade, mas não, não estou tão maluca assim, caro leitor internauta. Acabei de tirar a carteira e não tenho (ainda) cacife para dirigir numa Imigrantes. E agora? Como chegaríamos ao curso naquele dia?

Renatinha deu um jeito: ligou para um conhecido que faz uso do transporte particular que sobe a serra rumo a São Paulo. Arrumamos uma van que nos levaria até a estação do metrô de Jabaquara. Às 5h da manhã lá estava um senhor chamado de João buzinando no portão. A Denise já havia embarcado no banco da frente, ao lado do motorista e eu e Renata sentamos duas fileiras para trás. Ao pegar todos os passageiros, seu João - numa disposição só - fez a tradicional chamada dos nomes para conferir se não faltava ninguém. Adivinhe qual era o primeiro nome da lista? 'RE-NA-TA!'. Caraca, o tiozinho deu um grito que eu dei um pulo e acordei de vez. Partimos rumo a São Paulo e comecei a cochichar com a Renata sobre uns papos de mulher. A Renata é a pessoa mais sorridente que conheço, ri de tudo feito eu... risos. Lá pelas tantas eu falei algo muito, mas muito engraçado e aí não prestou. Seu João perguntou à Denise se estávamos chorando e a resposta só poderia ser: 'Não, o povo tá animado mesmo!'. Nós duas tentamos abafar as risadas com nossos cachecóis, caro leitor internauta, mas o fato é que o dia nem havia amanhecido e nós já estávamos chorando de tanto rir, literalmente. A viagem passou num piscar de olhos. Descemos no Jabaquara. Muito movimento, cidade acordando. Porém, o ponto de ônibus da AMA é na estação do Paraíso. Pegamos um táxi até lá. No caminho reparei o sol nascendo no meio dos prédios, era um dia lindo vindo nos brindar. O motorista era muito legal e acho que ficou zonzo com três 'matracas' logo cedo dentro do carro. Muito gentil, nos explicou como chegar no Cambuci no dia seguinte e eu, enganando a mim mesma, disse que havia entendido as instruções (foto acima). Na estação de metrô do Paraíso, o ônibus da AMA já aguardava. Fomos até Parelheiros (lá onde Judas perdeu as meias, porque as botas foi bem antes) e passamos o dia estudando, já que esse era o propósito. Mas ô lugarzinho longe, viu? Quando voltamos ao agito da metrópole foi, realmente, como chegar ao Paraíso... risos

Para voltar ao litoral (para casa), teríamos que pegar a tal van novamente no Jabaquara, mas, até lá, outro táxi. Ah, meu Deus, quem nos levou foi um taxista com idade compatível ao Tutancamon. Caro leitor internauta, o senhorzinho fez mais barbeiragens do que o Barrichello, ele não poderia mais estar dirigindo e, como se não bastasse isso, ele nos enrolou, viu? Deu voltas para chegar ao Jabaquara. No caminho, sem ter o que dizer, soltou essa: 'O mundo vai acabar em 2012!'. Claro que não sei ficar quieta e respondi: 'O mundo tá acabando aos poucos, faz tempo... e é nossa culpa!'... risos. Chegamos ao Jabaquara e nada da van. Já era noite e tinha um povo estranho na rua. Renatinha ligou para o cara do transporte particular e ele disse que um Meriva viria nos buscar, pois todas as vans da empresa já estavam ocupadas. Chique, né bem? Seria chique se não fosse tenebroso! Eu não estava gostando nadinha daquela espera e para piorar começou a chover fininho.

Tchan-tchan-tchan-tchan-tchan, o tal Meriva chega e desce um negão de 2m de altura e 3m de largura. 'Boa noite. Meu nome é Tyson!'. Ah tá, que maravilha! Depois de um dia corrido como aquele, eu sentia um calafrio subir nas costas. Só me faltava virar saco de pancadas mesmo, ou lona de ringue, ou luvas de boxe... risos. Entramos no carro todas no banco de trás e um outro passageiro já estava na frente. Baixinho, falei para a Renata e para a Denise: 'Agora eu tô com medo... mesmo. Não é piada!'. Pense comigo, caro leitor internauta: éramos três pobres mulheres indefesas, num carro com dois desconhecidos - um deles no controle do volante e ainda com o nome de Tyson! Minha Nossa Senhora Protetora das Psicólogas Alopradas, aquilo era demais para a minha coragem! E parece que mãe sente, né? Nessa mesma hora, minha mãe ligou para saber se estava tudo bem. Me limitei a dizer que sim, mas que ainda estávamos na estrada. Já era mais de 20h e ela achou tarde para ainda estarmos no caminho de casa. Pobre mãezinha, se ela soubesse da metade das aventuras daquele dia, concordaria comigo que o horário era o de menos - os detalhes deixei para contar quando voltei a Santa Catarina. Ser tão bem humorada feito eu, às vezes, é um problema, caro leitor internauta, porque quando falo sério, pouca gente acredita... risos. Ou seja, minha cara de desespero virou motivo de piada para as minhas amigas naquele momento e, então, resolvi relaxar. Perguntei para o moço: 'Mas por que Tyson? Por acaso tu dá porrada?'... O cara deu uma baita gargalhada. Ufa! Não, na verdade o nome dele era Claiton, mas por ser muito forte e com fisionomia de mau, foi apelidado de Tyson. Que apelidinho carinhoso, hum? Respirei aliviada, pode acreditar. E depois percebemos que o cara era muito bacana, tranquilíssimo e educado. Conversamos durante todo o trajeto até em casa. Além do mais, ele é o melhor motorista que já conheci. O cara era bom de braço mesmo, mas para dirigir. De fato, as aparências enganam - nesse caso, ainda bem!

Próximo post: Restaurante Tahiti (Guarujá/SP) - Dica de Acessibilidade

Beijo, beijo, beijo.   

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Restaurante 'A Casa da Bisa' - Dica de Acessibilidade

E aí, caro leitor internauta? Como vai?

Conforme anunciado no final do último post, hoje o texto é dedicado ao Restaurante 'A Casa da Bisa', no bairro do Cambuci, em São Paulo. Foi nesse cantinho da capital paulista que eu, Renata e Denise (a Denise também é psicóloga e trabalha com a Renata) fizemos o curso de autismo, na AMA. Nos dois primeiros dias de curso, todos nós, integrantes do grupo, fomos levados, pelo próprio ônibus da instuição, para o sítio deles onde são atendidos outros autistas (os mais severos). Nesses dias no sítio, no bairro de Parelheiros (periferia da periferia da periferia da cidade de São Paulo), almoçamos na própria AMA. Deixa eu fazer um breve comentário aqui, caro leitor internauta: eu dormi nesse trajeto. Quando peguei no sono, tudo era grande e de concreto e, quando acordei, estávamos no sítio da AMA, onde tudo era mato. Mato mesmo. Achei que tivesse sido abduzida! Imagine um lugar longe. Imaginou? Então, não é aí ainda, é mais pra frente, lá onde 'o vento é parado', como diz o Fabrício. Bom, continuando... No resto da semana, no Cambuci, almoçamos no Restaurante 'A Casa da Bisa'. O que inclusive me fez lembrar da Clô, da novela das 21h, que vive falando que nasceu no Cambuci... risos. Que fim de carreira, hein? Só assim eu me sinto numa novela da Globo!... risos.

Mas, voltando a hora do almoço, claro que pedi indicação de um lugar que não tivesse escadas e a Marli Marques, coordenadora e palestrante, nos indicou esse lugarzinho. Era 'pertinho' e 'fácil' de achar (esse 'pertinho' e esse 'fácil' lá são bem relativos, né?). Fomos de carro. No caminho tivemos que pedir informação e a Denise, ao invés de dizer 'bisa', perguntou: 'Moço, onde fica o restaurante da Nonna?'... risos. Aliás, em praticamente todas as vezes que tivemos ir a um endereço novo, eu que fiquei responsável de pedir a informação. E adivinhe? Me surpreendi com a educação dos paulistanos. Todos, sem exceção, muito gentis - inclusive para dizer: 'Ih, moça, não sei onde fica isso não. Desculpa!'. Será que tive sorte ou será que as koisas estão melhorando no quesito 'gentileza'? Prefiro acreditar na segunda opção. Chegamos lá e me deparei com uma calçada que não era rebaixada, mas no restaurante não havia degraus. Achei o lugar um mimo... pequeno, aconhegante, com luz natural, decoração de muito bom gosto, comida caseira maravilhosa e a dona era uma simpatia só. Eu, animadíssima com o restaurante, falei para ela que fotografaria e colocaria no blog. Está aqui o prometido!

Se você foi, vai ou mora em Sampa, há de convir comigo que a boca pode ser um bom GPS - é divertido, no mínimo. Tenha disposição e leveza porque a cidade é caótica de qualquer jeito. Você ficando mal humorado ou não, o trânsito não vai mudar, a poluição não vai diminuir e a violência não vai sumir. Aliás, em geral, não tenho medo de andar lá. E eu adoro aquele caos, aquela cidade acinzentada, acimentada. E é tudo muito bonito, basta saber apreciar. Porque é uma beleza diferente. Tem tudo a qualquer hora. Gente de todo tipo que não pára. Fico pasma com tanta diversidade, com tantos monumentos. É muita imponência! E o melhor: lá ninguém me conhece - porque aqui, se eu espirrar, a cidade inteira já sabe... risos. Costumo dizer que o Brasil começa e termina em São Paulo, pois é a grande miscigenação do povo brasileiro. É casa de muitos estrangeiros, inclusive. É berço de boa parte da nossa História; é palco dos maiores eventos e celeiro das grandes oportunidades. São Paulo é antagônica, extrema, incoerente, riquíssima e muito pobre. E, justamente por isso, São Paulo é tão humana. São Paulo me liberta! É pra lá que quero ir!

Restaurante 'A Casa da Bisa'
Endereço: Rua Maranhão Albuquerque, 71 - Bairro Cambuci - São Paulo/SP
Site: http://www.acasadabisa.com.br/
Recomendo!

Próximo post: 'Por que Tyson?'

Beijocas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os meus 26 anos!


04 de outubro de 2010, 23:44h. Fui até o banheiro do meu quarto para escovar os dentes e me preparar para dormir. Na bancada da minha pia estavam minhas koisas sob o mármore branco: muita maquiagem, perfume, porta-jóia, um pequeno aquário redondo, etc. Olhei no espelho e vi meu rosto 'limpo', sem o make up usual. Percebi que, em poucos minutos, seria dia 5 e eu estaria completando mais um ano de vida. Tratei de fazer uma retrospectiva rápida - de constatações, não de lamúrias. Lembrei do primeiro dia de aula na pré-escola (foi aí que entendi que eu era diferente das outras crianças), do Snoopy (meu cachorro quando eu tinha 9 anos), da minha alegria quando meu pai colocou uma piscina aqui nos fundos de casa, de quando operei os pés aos 6 anos e esqueceram um dedinho meu dobrado dentro do gesso, de quando quebrei o braço, do meu primeiro beijo no dia do meu aniversário de 13 anos, de quando ganhei meu primeiro computador, de quando meus irmãos nasceram, de todos os Natais em família, da primeira vez que andei de avião e conheci Brasília, de quando fui atacada por formigas no jardim do vizinho e fui parar no pronto-socorro, de todos os carnavais e shows na praia, dos meus ídolos da adolescência, das muitas ondas que eu e a Iói pegamos de bodyboard e dos muitos 'caldos' que tomamos, de todas as vezes em que essa prima desceu a rua comigo sentada num skate, de todas as vezes que fiz xixi nas calças de tanto rir com a Andresa na escola, da minha formatura de segundo grau, da perda do meu avô quando fiz 15 anos, de quando passei no vestibular, do meu plano infalível de fuga na infância.

Lembrei também da última vez em que fui operada: foram 4 cirurgias de uma vez só e graças a isso eu posso andar hoje. Caramba, faz só 10 anos que eu sei caminhar (um dia contarei essa história aqui). Nesses 10 últtimos anos eu aprendi muita koisa. Aconteceu muita koisa. Eu entrei na faculdade. Lembrei de quando ganhei a Bolsa Mérito na faculdade por ter tido as melhores notas entre todos os alunos de Psicologia naquele semestre de 2007. Lembrei das minhas responsabilidades e correria como representante de classe, de todos os amigos que fiz lá, de todos os mestres e da minha formatura. Nesse inteirim, namorei, noivei, casei e separei. Apaixonei, decepcionei e esqueci. Aquela não é mais quem sou agora. Mudei, evoluí. Lembrei que no meu último aniversário eu ainda era casada. E nesse último ano eu aprendi mais koisas do que nos outros 25 anos anteriores. Aprendi que estar sozinha(o) por um tempo é uma necessidade e não significa ser solitária(o). Aprendi que você não pode delegar a ninguém a sua vida. Aprendi que é sensacional ser livre, ter seu dinheiro, seu trabalho e tomar as suas próprias decisões. Descobri que, para conquistar o coração de alguém (e o meu) é preciso muito tempo e muita habilidade... o ímpeto é sinônimo de paixão, não de amor. Aprendi que não tenho paciência para me relacionar com pessoas mal humoradas e reclamonas, que vivem da vitimização. Você é o que quiser ser. Ninguém é vítima de nada nessa vida! Se está descontente, mude, cresça. As únicas pessoas das quais eu posso escutar qualquer koisa, incondicionalmente, são meus pacientes porque eu escolhi isso. Aprendi que o ciúme é uma tolice e a forma mais infantil de querer manter alguém perto de você.

Reaprendi a gostar de uma cama de solteiro (sim, 'briguei' com minha cama de casal e a 'despachei'). Aprendi que antes de querer ser mãe, eu tenho que encontrar um pai decente para esse filho. Aprendi que ninguém tem o direito de privar você dos seus desejos e menosprezar seus sonhos. As pessoas podem dizer o que quiserem a seu respeito, cabe a você acreditar ou não. Aprendi que dirigir e viajar sozinha é bom pacas. Aprendi a não viver em função do futuro, ele pode simplesmente não chegar como você planejou. Com isso, descobri que o melhor é viver um dia de cada vez. Ter objetivos é importante para nos impulsionar, mas são letais se passam a nos 'nutrir'. Me permito planejar, no máximo, os próximos 2 meses da minha vida. Depois? Depois não sei. Será o que tiver de ser. Meu compromisso, hoje, é só comigo mesma e irei para onde eu julgar melhor. O mundo é enorme, fantástico, cheio de possibilidades e descobri que é tranquilizante não ter que negociar nada com ninguém... se amanhã eu quiser ir para a Conchichina, faço as malas e vou. Aprendi que nunca mais vou me contentar com pouco, emocionalmente falando. Constatei que não importa o que os outros façam, eu sempre terei os mesmos valores porque ser honesta(o) vale a pena. Aprendi que a felicidade é feita de detalhes, não de grandes eventos. Descobri que tenho mais amigos do que imaginava e seria impossível citar o nome de todas as pessoas incríveis que conheci nos últimos tempos. Aprendi até onde devo depositar minha expectativa. Aprendi a gostar de brincos pequenos. Aprendi que é bom demais poder beijar a boca de alguém com muito carinho, sem perder a cabeça - porque isso é consequência, e se o resultado for uma bela amizade, tudo bem também, isso não é pouca koisa. Aprendi que ainda tenho muito pela frente. Que ainda tenho muita koisa para corrigir e muito o que aprender; que há muitas pessoas especiais por aí e que tenho semeado boas sementes justamente para encontrá-las. Aprendi que, independente do que aconteça, não adianta se desesperar, você tem que se perguntar diante de tudo: 'O que tenho a aprender com isso?'. E se você não aprendeu, é porque não viveu. Que pena!

Ser feliz não significa não ter problemas. A diferença é como você vai escolher encará-los. Ao acordar, olhe a vida como um lindo pacote fechado com laço de cetim. Abra-o em tom de agradecimento diariamente porque a vida é um presente. Aliás, a vida é o presente, nem o passado nem o futuro. E depois de pensar em tudo isso, de perceber os erros e acertos que constituem quem sou hoje, pude escovar os dentes e dormir em paz, pois tive uma única certeza: a de que sou muito feliz!

Quero agradecer a todos, de longe e de perto, que me ligaram, que me mandaram cartões e mimos, que me felicitaram pelo meu aniversário e àqueles que simplesmente se fazem presentes. Amo vocês!

Próximo post: Restaurante 'A Casa da Bisa' (São Paulo/SP) - Dica de Acessibilidade.

Beijinhos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Restaurante Sítio Laranjeiras (Guarujá/SP) - Dica de Acessibilidade

Boa noite, caro leitor internauta!
Como vai? Hoje vim dar mais uma dica de acessibilidade para você e contar a 'pegadinha' que o garçom do restaurante em questão quis pregar em mim. Como você já sabe, estive no Guarujá nos últimos dias.

Sábado à noite é dia de sair para jantar, reunir os amigos, etc, certo? Pois é, foi isso que fiz (menos 'etc', risos). Liguei para a Rubia e para a Jeovana e elas vieram de Santos, reunimos Marcela (irmã) da Rê e o namorado dela e saímos rumo ao Sítio Laranjeiras. Um lugar muito tri, aconchegante, com bom atendimento e ótima comida. Logo na entrada me alegrei ao ver uma rampa. Entramos no local e o andar térreo estava lotado. O garçom se dirigiu até a Renata e perguntou de quantos lugares deveria ser a mesa. Éramos 7 adultos, mais o Luquinhas, mas isso não fazia diferença... não havia mesa nem para duas pessoas, que dirá para 7!... risos. Bom, vendo aquela tropa toda, o garçom sugeriu que fôssemos ao andar superior. Oooooooooooopa! Já 'vacinada' de tanto sair comigo, a Rê perguntou a ele: 'Tem rampa?'. 'Tem!', ele respondeu. Como num passo de mágica, mais veloz que o The Flash, o dono do restaurante surgiu das cinzas do forno de pizza e arrumou uma mesa para nós - nessa hora eu ainda procurava a tal rampa para o segundo andar.

Sentamos, jantamos, rimos muito (como sempre!) e, de vez em quando, eu cochichava com a Renata sobre a rampa. Afinal, eu poderia fotografar e comentar aqui, não é mesmo? Analisando o recinto, vi uma escada muito bonita e uma cascata d'água fantástica e fiquei pensando que no lugar daquele enfeite todo cabia uma plataforma para os 'matrixianos'. Uma plataforma básica custa, em média, 7 mil reais. O que são 7 mil reais para o grupo dono desse e de outros restaurantes famosos no Guarujá? Nada! E outra: a plataforma seria, sem dúvida, bem mais útil e, até mesmo, mais bonita se colocassem umas luzes de natal... risos. Mas tudo bem, já tinha uma entrada acessível, um verdadeiro avanço. Quando a conta chegou na mesa eu não me aguentei e perguntei para o mesmo garçom:
'Moço, onde está a rampa para o segundo andar?'
'Rampa?'.

'Sim, moço. Quando entramos você disse que havia uma rampa.'
'Eu falei?'.
Não, o Papai Noel... foi o que fiquei com vontade de dizer, mas tenho educação.
'Sim, sim. Você falou.'.
É óbvio que não havia rampa para o andar superior, caro leitor internauta. O garçom ficou absurdamente constrangido e eu achei uma graça danada da cara de 'me ferrei' que ele fez. Para diminuir o mal-estar do rapaz eu brinquei: 'Moço, moço... você estava tentando nos ludibriar.'. Eu, graduada em Psicologia, até agora não consegui entender por que o garçom fez isso... risos.

Moral da história: A mentira tem perna curta e não sobe escada!

Endereço: Av. Mário Ribeiro, 1469 - Praia de Pitangueiras - Guarujá/SP

Amanhã (05 de outubro) é meu aniversário. Postarei sobre meus 26 anos.

Beijos!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Rumo a Sampa... de novo!

Caro leitor internautaaaaaa, que saudades!
Nossa, bati o recorde de sumiço, hein? Quase 15 dias sem postar. Pois é, mas tenho um bom motivo: estive 9 dias entre o Guarujá e São Paulo (capital). Ou seja, tenho uma pá bem cheia de koisas para contar a você (e outras que não devo contar... risos). Antes de começar a discorrer sobre as aventuras dessa viagem, quero agradecer a cobrança de muitos leitores com frases do tipo '... e o blog, hein?'. Essa pegação no pé me motiva muito a escrever porque sei que há quem sinta falta de ler minhas postagens. Isso era impensado quando criei o Koisas Com Ká. É bom demais receber os comentários e saber que você divide, de fato, koisas comigo... nem que seja um pensamento, uma opinião, uma risada ou uma careta (por que não?).

Agora suponho que você deve estar aí com urticária, se coçando para saber o que fui fazer na 'terra da garoa', não é mesmo?... risos. Afinal de contas, eu estive por lá há pouco tempo - em julho. Pois é, o objetivo da viagem foi o treinamento na AMA (Associação de Amigos do Autista), referência no Brasil no tratamento de pessoas com autismo. Como você já deve saber, um dos meus trabalhos como psicóloga se desenvolve aqui a Apae de Garopaba. Há uns dois meses, aproximadamente, surgiu um novo desafio: atender uma criança autista, junto com a pedagoga. Assim, eu me responsabilizaria em participar e atuar nas atividades psicopedagógicas e atender a mãe da criança. Ótimo! Acontece que o mundo do autismo é tão complexo quanto fascinante. Lá fui eu ler a respeito e me inteirar do novo mundo que faria parte: o mundo autista. Como nada é por acaso, nessa mesma época, a Renata (minha amiga paulista que também trabalha com autistas) me ligou e me convidou para fazermos juntas esse curso na AMA. Achei que seria um investimento importante de ser feito. O aperfeiçoamento deve ser uma constante para aqueles que amam o seu trabalho. Foram 5 dias insanos de muito estudo, mas que valeram a pena! Num próximo post, contarei detalhes. Quem quiser saber mais sobre o assunto antes que eu poste aqui, pode entrar no site http://www.ama.org.br/. Mas vamos por parte - do começo, de preferência.

Meu voô estava marcado para dia 17/9, às 21h saindo de Floripa, como de costume. Durante o dia tive tempo de ir à clínica atender e arrumar tudo que levaria. Aliás, não me pergunte como arrumei a mala sozinha. A nossa 'secretária do lar' estava de férias e eu zonza dos remédios da pneumonia. Estou quase acreditando que as roupas pularam por conta própria do guarda-roupa para a mala... todas bonitinhas e dobradinhas, cada uma no seu devido lugar... risos. E a mala ficou bem arrumadinha, não faltou nada. Cheguei no aeroporto e no extrato do check-in percebi que minha mala pesava 15kg. Ah, que bom, um pouco menos que das outras vezes. Atribuo essa proeza ao fato de não ter levado o netbook (pois não teria tempo de usá-lo) e um sapato a menos. Nesse mesmo comprovante marcava embarque no portão 3, mas constatei que havia mudado para o portão 5. Essas mudanças são rotineiras em aeroportos. Se você for viajar, fique de olho nos monitores e preste atenção no que o carinha do alto-falante está dizendo. Eles informam de ambos os jeitos para qual portão será direcionado cada aeronave. Na fila de embarque vi o Dr. Jairo Bouer, que apresentava um programa na MTV na época em que eu era adolescente (é, faz tempo!). Como não o achei muito simpático, fiquei na minha e agi como se não o tivesse reconhecido. Um mocinho da Gol chamado Iuri me acompanhou até a pista com a Stair-tac (a tal cadeira elétrica - que não dá choque) e fez os mesmos procedimentos de sempre: 'A senhora já usou esse equipamento? Não se preocupe, a cadeira ficará bem inclinada pra trás.'. Uhum, eu sei, eu sei... estou acostumada. Deu tudo certo. A única koisa que queria era entrar depressa no avião porque estava um vento terrível na pista e, embora estivesse bem agasalhada, eu não podia vacilar por causa da pneumonia. O voô foi tranquilo e fui conversando (para viariar) com a senhora que estava ao meu lado.

Em Congonhas descemos pelo finger (corredor fixo) e um moço da Gol já me esperava. Fomos em direção à sala de desembarque para retirar a bagagem e quem eu encontro no caminho? Genivaldo, meu amigo que trabalha na Gol (esse da foto)!  Observação: guarde bem o nome dele, pois ele será peça fundamental no desfecho dessa viagem. Caraca, que saudade eu estava dele! A gente tentou combinar para ele me desembarcar em julho e não deu certo e, dessa vez, a gente se encontra sem querer. Muito legal! Óbvio que foi ele quem assumiu a função de me acompanhar depois disso. Fomos até a sala de desembarque batendo um papo e lá estava um caos. Muita gente ao redor das esteiras. Gê e eu aproveitamos para tirar uma foto, mas antes disso tivemos que descobrir como ligava e funcionava minha máquina nova... risos. Nesse meio tempo a esteira do meu voô esvaziou e minha mala ficou dando voltas sozinha, era inconfundível... risos. Na porta, não havia Rubia ou Jeovana para abraçar como das outras vezes, mas estava lá o meu amigão super sincero: Márcio (marido da Renata). Descemos a Imigrantes rumo ao Guarujá divididos entre conversa séria e muita risada (que novidade!). Dessa vez fiquei hospedada na casa do Márcio e da Rê, já que eu iria para o curso com ela. Foi bom chegar em casa e rever minha amiga, eu já estava com saudades. Sou sempre tão bem recebida, me sinto tão querida que me considero um pouco parte da família 'de Luna Arcas'. Era tarde, mas tirei o mais importante da mala e era hora de descansar. O fim de semana e a semana prometiam...

Próximo post: Restaurante Sítio Laranjeiras, Guarujá - dica de acessibilidade.

Beijos, no domingo eu volto a postar. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nua e crua...

Olá, caro leitor internauta!

Estou aqui 'de molho' desde sexta-feira curtindo uma bronqueolite. Pois é, tudo fruto de uma gripe mal curada devido a minha teimosia e mania de achar que está tudo bem, tudo certo, vamos 'simbora'. Mas calma... já estou medicada e sexta-feira estarei 0km para embarcar para São Paulo. Entretanto, nesses dias em que você é forçado a ficar em casa, deitadinho enrolado no edredon, sem colocar o nariz para fora, você fica sem muita opção do que fazer, não é mesmo? Você lê um livro, usa o computador, ouve música, vê TV e por aí vai. No final do seu atestado você já está de saco cheio de fazer nada produtivo. Acertei? Comigo, pelo menos, é sempre assim. Eu detesto ficar doente (óbvio), mas, pior que isso, é ter que parar de trabalhar. Gente, isso acaba comigo. Bom, sem muita escolha, hoje, assim que acordei, assisti um programa na Record e me deparei com uma matéria sobre os figurinos da popstar que mais abomino: Lady Gaga. A matéria era, na verdade, uma crítica aos modelitos esdrúxulos da moçoila. Eu, na companhia da minha psicologia selvagem, fiquei analisando e pensando... ela deve ter tido a auto-estima muito baixa, não? Deve ser uma pessoa muito insegura para ter que chamar atenção com tanto exageros. Acho que ela coloca tudo nos figurinos, menos o bom senso.

A guria desceu outro dia num aeroporto só de calcinha e sutiã, você acredita? Meu, quem ela pensa que é? Bela merd* se ela canta meia dúzia de palavras esquisitas que faz sucesso. Ninguém merece ter que ver a calçola dela! Eu não quero saber se ela tem silicone, se tem piriquito, piriquita ou os dois! Ela que coloque uma roupa! E depois fiquei passada 'à chapinha' quando mostraram a última extravagância da Miss Ridiculareza em questão: um vestido feito de carne... sim, carne de verdade... aquela que você come nos 'surrascos' de domingo. Achei que estava tendo uma alucinação em decorrência dos remédios que estou tomando, mas não... a realidade estava ali na TV, nua e crua, literalmente. Páraaaaaaaaaaaaaaaaaa tudo! Qual teria sido a pobre vaca que cedeu tanto bife a ela? Uma prima próxima, quem sabe? Não, não, não vamos ofender as Mimosas e Gertrudes desse planeta! Sim, porque, para mim, a Lady Gaga é uma sem noção e mais animal do que a pobre vaquinha que morreu em prol de tamanha futilidade. Por que ela não faz uma campanha contra a fome ao invés de desperdiçar comida? Por que ela não canta, simplesmente? Ou será que o talento vocal é insuficiente? Aí, São Pedro, vamos fazer uma troca? Mandamos a Lady Gaga e você manda de volta, no mínimo, os Mamonas Assassinas. Que tal?

* Quero agradecer os recadinhos gentis do leitor Markus na última postagem. Já te adicionei no Twitter.

Beijos a todos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O que é ser grande?

Bom dia, caro leitor internauta!

Há umas três semanas recebi um convite de casamento. Não um convite qualquer, mas o convite da Andresa e do Vanderlei. Não me refiro só à beleza e delicadeza do que foi impresso, mas ao significado da convocação para ser madrinha dessas duas pessoas incríveis. Vou explicar: convocação porque dentro do convite, veio um texto personalizado para cada padrinho e, no meu caso, uma etiqueta 'Para a melhor amiga: Karla'. Chique, né bem? Eu já comentei sobre esse casal aqui, mas só para relembrar: a Andresa estudou comigo desde os 8 anos de idade, crescemos juntas (quer dizer, eu não cresci). Pessoa maravilhosa, doce, gosta de tudo muito certinho, generosa e muito engraçada (tudo mal de leoninos... risos). A sua marca registrada é a risada pra lá de espontânea e escandalosa (no bom sentido). O Vanderlei é uma figura, exemplo raro de lição de vida. É paraplégico há 14 anos e totalmente independente, alto astral... quase uma mala sem alça... risos. Um orgulho ser testemunha dessa união e desse amor. Quando penso nisso, me sinto uma pessoa de muita sorte, sabe caro leitor internauta? Sorte por ter amigos de infância, amigos que mesmo longe se fazem presentes, amigos novos que chegam sempre, amigos verdadeiros. Bom, quanto ao padrinho que me acompanhará, ainda está em discussão: ou Henrique (irmão do noivo) ou Ed (melhor amigo da noiva). A votação está no Congresso Nacional, assim que um dos dois for escolhido, avisarei aqui... risos.

Maaas, como não sou eu a responsável por decidir o meu partner, tratei de logo ir ver a 'roupitcha' para a ocasião. Ah, sim, eu sei que o casório é só em novembro, mas são 30 padrinhos e 500 convidados, então eu precisava decidir logo a cor do vestido porque não gostaria de ficar 'par de vaso' com outra madrinha no altar. Aí entra o tema de hoje, caro leitor internauta: eu meço 1,51cm, peso 43kg e calço 33... onde encontrar uma roupa que não seja a de daminha???... risos. Você tá rindo, né? Mas é sério. Achar roupas para o meu tamanho é um probleminha. Por sorte, o vestido que bati os olhos numa loja daqui serviu direitinho. Roxo (pra variar), longo... muito bonito. Parece que foi feito em mim. Creio que isso se deve ao fato de a dona da loja ser menor que eu (aham, acredite!). Inclusive, ao entrar na loja eu a abracei e disse: 'Dona Naíde, que satisfação encontrar alguém mais baixa que eu! Nunca olhei de cima para alguém!'... risos. Óbvio que eu a conheço, né caro leitor internauta? Senão seria uma indelicadeza minha dizer isso a um desconhecido. Nem todo mundo se aceita como é. Pois eu adooooro ser baixinha. Caibo em qualquer lugarzinho, as crianças me adoram porque se identificam com o meu tamanho (elas sempre acham que também sou criança... risos), sempre dizem que pareço ter menos idade do que realmente tenho e, quando caio, o tombo é bem menor, dada a pouca distância até o chão... risos. Não é uma beleza?

Voltando ao vestido, creio que essa foi a primeira vez na minha vida que algo serviu assim... sem precisar cortar. Sim, porque todas as calças jeans que eu compro tenho que mandar cortar e fazer a bainha. Eu merecia pagar 30% a menos em todos os jeans, já que corto 30% da calça, concorda? Além disso, eu já comprei roupa tamanho 16, mesmo tenho mais de 20 anos porque, além de grandes, as pessoas estão cada vez mais gordas e os manequins de calça 36/38 (que eu uso) sumindo das lojas. Definitivamente, expressões como 'Quando eu era pequena' ou 'Cresci vendo Chapolin...' não se aplicam a mim. Mas o que importa é o caráter e o tamanho do coração, né? Porque isso sim, dizem se você é grande.

Beijos enormes!  
     

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Saia justa, justíssima...

Olá, caro leitor internauta! Como vai? Por aqui tudo certo... feriado chegando e muito trabalho, como sempre. Hoje vim relatar para você a saia justa em que fui metida outro dia. Não, não me refiro a saias de tecido, porque não uso essa peça do vestuário feminino. Sabe aquelas situações em que você quer cavar um buraco para sumir e que um segundinho parece uma eternidade para passar? Pois é, é dessa saia justa que estou falando. Para quem ainda não sabe, eu sou a filha mais velha. Tenho dois irmãos: Vinícius com 11 e Gabriel com 10 anos. Adoro criança e sou o tipo de irmã que participa muito. Me sinto um pouco responsável pela educação deles por ser tantos anos mais velha. Sou paciente e conversamos sobre tudo. Acredito que não devemos infantilizar as crianças, de um modo geral, e nem privá-las de entenderem o que se passa... isso significa tratá-las como seres pensantes respeitando o seu desenvolvimento. Então, ao invés de fugir de determinados assuntos, o melhor é dialogar delicadamente sobre cada koisa. Em cada fase da infância você pode ir aprimorando a explicação sobre tudo.

Bom, outro dia, o Vinícius disse que queria me fazer uma pergunta. Sinalizei com o levantamento das duas sobrancelhas que estava pronta para ouvir a dúvida. Fiquei esperando algo do tipo: 'Em quem você vai votar para Presidente nessas eleições?', ou 'Onde fica a Palestina?', ou 'Por que o céu é azul?', ou 'Me empresta teu fone de ouvido?'. Ah, não, nada disso... ele me veio com a perguntinha: 'Kaká, o que é tesão?'. Fiquei surpresa e feito estátua por uns três segundos, depois dei umas três tossidas enquanto pensava no que ia responder. Me senti numa saia justa feita de lycra, colocada a vácuo. E ele ali, tranquilinho me olhando esperando a resposta. Pensei em dizer que tesão é um 'T' bem grandão, mas não seria o mais correto... risos. Então falei: 'Mano, tesão é... é quando você tem muita vontade de fazer alguma koisa, ou quando você tem enorme satisfação em fazer algo, ou ainda quando você acha uma pessoa muito bonita. Mas não é um termo que se use assim, a toda hora. Quando você crescer, saberá exatamente o significado dessa expressão'. Pronto! Ufa, acabou, falei. Tentei imaginar de onde ele tinha tirado essa. Talvez de uma música dos Mamonas Assassinas, já que é fã deles? Mas como sou ultrapassada!! Daí ele veio com a fonte da questão: 'Ah, agora entendi por que aquela menina da minha sala me chamou de tesão!'. Hãããã? 

É, caro leitor internauta, estou ficando velha mesmo... as koisas estão bem avançadas hoje em dia, não?

Bom feriado. Beijos.